terça-feira, 29 de setembro de 2009
O Seu Amor
O seu amor
Ame-o e deixe-o livre para amar
Livre para amar
Livre para amar
O seu amor
Ame-o e deixe-o ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz
O seu amor
Ame-o e deixe-o ser o que ele é
Ser o que ele é
Versão desconhecido
Versão Doces Bárbaros
terça-feira, 8 de setembro de 2009
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Sei que retomo nosso diálogo depois de séculos passados, sei que não tens mais a mesma face, sei que não és a mesma pessoa. Sei que desististes dessa trama, largastes o bordado e foste ver o sol morrer.
Creia-me, senhora, muito pouco conhecias dessas artes. Foste uma amadora desde o início. Foste o que aprendeste a ser - tua fragilidade é o que combina com os decretos de tua pequena vila. Desagrada-me dizer, mas - estavas enganada. Porque não podias ver o que eu te oferecia, porque não podias traduzir minhas palavras.
Tu querias os quadros nas paredes quando passeávamos pelos museus. Estavas ainda muito presa às formas pictóricas da vida, querias combinar as cores para chegar aos gostos, mas não examinava com profundidade os que conseguistes na busca, jogando-se novamente sobre as cores.
Ressignifico, portanto, as letras, acrescentando a elas novas formas.
Olha em tua volta, ainda que estejas em sonho, observa o pouco de claridade que o mundo oferece a tua realidade onírica. Não havia desertos; os desertos são o meio arenoso de cobrir a história das florestas - a riqueza do que é vivo e apodrece.
Precisas examinar a história para que compreendas o papel da violência. Só ela pode aproximar-te de meu coração, se ainda queres o desejo. Só os teus gestos de brutalidade tocaram minha face. Somente tua agressividade chegou aos meus olhos. Precisas invadir as casas, como os terroristas e fazer tuas vítimas.
Precisas (porque já atravessaste os Portais) que tuas ações ergam-se à altura de tuas vontades; não te submetas às minhas armadilhas.
Nunca devias ter calado diante dos horrores dos meus atos. Também não me digas que já perdeste o passo, perdeste o fio, cansaste de tantos círculos secretos.
Sou bem fraco, não posso levar teu corpo sobre minhas costas; posso, como única arma, dizer-te a verdade: nunca começaste a lutar. Caminhaste em linha reta - entretanto eu não te disse que as trilhas eram tortas e havia muitas rodas de fogo pelo caminho?
10 litros
a cor que produz, uva
embriago-me com o líquido
salto entre tonéis
pego tua mão
rodamos
uva
um copo
logo virão mais dois
talvez nem haja tantos cálices
queria tingir tua boca
com o sabor
desse
suco
queria sim
tivesse cachos e cachos de uva
e os amassasse com teus pés, cor de ouro
iria se deliciar, com o líquido sobre teu corpo
e esmagaria entre dentes as sementes
fermentaria
porque foi sem pisar em minha morada
não te ofereço o suco o vinho a uva
te ofereço desenhos dessa cor,
com a qual um dia sonhou em beber o amor.
Poema desconhecido*
Você era a linha reta
Que sempre quis amar
o caminho mais rápido entre dois mundos.
Você era a trama tecida
Já bem formada, sem arestas, ou sulcos
Era a forma já acabada
Espaço bem construído
Que eu sempre quis tocar
o futuro para o qual os pés cansados seguiriam no final.
Agora que eu vejo
essa morte toda que carrega em si
Essa perfeição
Esses círculos
E vejo que esse é o amor
É o único amor:
Não o que houve entre mim e você somente
Mas o amor tal qual existe entre todos.
Enquanto foi o meu livro lido, terminado
História já contada, conhecida
E à qual voltaria sempre para novos deleites
Eu também, eu também
Sou livro fechado, marcado na penúltima página.
Para outro leitor.
O amor, parece, é sempre um desencontro.
O amor é sempre solitário.
E sempre assim.
* Não sei de quem é esse poema, esta em meu computador desde fevereiro de 2008. Talvez seja meu, talvez seja de um desconhecido. Não sei... Ando a tresvariar...
